Às vezes, ele vem me visitar
Chega de carona, com o sopro do vento
E se demora em meus ouvidos
Depois de brincar com meus cabelos
Então, tento encontrar seu nome
Enquanto meus olhos se demoram no relógio


Ele me diz que poderia ser diferente
Ele me leva para frente, e me faz raciocinar
Como seria se eu tivesse seguido por caminho diverso
Os momentos que perdi
Os sorrisos que abandonei
O futuro que abdiquei... 

Dos mares que não vi
Das montanhas que não escalei
E dos livros que escolhi não ler
Das Lições que deixei de aprender
Das paixões que deixei ir...

E me vejo em lugares distintos,
Quando meu coração percebe sua presença,
Longe da cadeira desconfortável onde me afundo
E então, tento encontrar seu nome
Enquanto meus olhos se demoram no relógio

Ele me lembra dos voos que nunca peguei
Das amizades que não insisti
Das palavras que ficaram presas na garganta
Dos momentos em que preferi partir

E quando o peito dói, e a respiração interrompe
Encontro o nome do meu companheiro invisível
E, por mais que ele seja ignorado por todos,
Faço dele meu melhor amigo
O nome dele é dolorido, o nome dele é “E se...”



POEMA: LETÍCIA LANÇANOVA
ILUSTRAÇÃO: BRENDA TONIAL